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Postado em: 01/07/2017 - Por: Gutemberg Rocha - Visitas: 816

Navio Oxidado (de Gutenberg Rocha)

Oh, navio, tu que já foste vida E agora é só morte

Navio Oxidado Velho navio encalhado no marEm estado de inatividade ... Poesia de Gutemberg Rocha

Navio Oxidado (de Gutenberg Rocha)

Navio Oxidado Velho navio encalhado no mar
Em estado de inatividade,
A mesma maré em que flutuavas
Agora te observa consumido
Pela maresia e pelo tempo.
Já não tens mais a beleza da juventude,
A bússola que te norteava,
Nem as velas ao vento arremessando
Rumo aos teus rumos.
Quantas histórias e amores
Em teu aposentos?
Quantas lembranças, confidências e dores
Rebentadas as ondas em tua prancha?
Quantos reis e rainhas te reinaram?
Quantas danças em teus salões?
Quantos escravos e reus remaram em teus porões?
Quantos poetas foram a tua proa
Apreciar a noite, as estrelas e a Lua?
Quantos réis carregastes em ouro
Ou em mercadorias em contêineres
Para mercados nos continentes?
Quantas lutas travadas contra piratas saqueadores?
Quantas dores até ser oxidado
Pelo mesmo oxigênio que respiro
E me oxida?
Oh, navio, tu que já foste vida
E agora é só morte,
Ao menos tens mais sorte
Neste túmulo pedaço de mar
Aos olhos. Aos meus, terra.

Gutenberg Rocha 

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