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Postado em: 15/05/2014 - Por: Nonato Fontes - Visitas: 5380

A lenda do caipora

homem desconfiado, cheio de segredos, não gostava de conversa...

O caipora é mais uma lenda do folclore brasileiro: Contam que era um homem baixo, meio esquisito, toda vez que passava em frente a outro...

A lenda do caipora

Contam que era um homem baixo, meio esquisito, toda vez que passava em frente a outro, baixava a cabeça ou desviava o olhar. Nenhum bom dia, ou olá, era assim mesmo o velhinho, aparentava ter em torno de oitenta e poucos anos, vivia sozinho em uma tapera, na beira do lago de parnapora, em frente a casa onde morei.

 

Moramos no lugarejo por uma boa década, depois fomos à cidade, precisávamos estudar, somente depois dos filhos grandes, meu pai retornou para sua terrinha, como ele chamava. Numa de minhas visitas, um Senhor De nome Elísio, que ficara como morador de nossa casa, contava a história do velhinho. Eu como sempre gostei de causos fiquei ali à noite numa reunião somente para perguntar que segredo guardava esse homem e para onde se botara, pois não mais residia por lá, aliás, nem o conheci.

 

Seu Elísio gostava quando a gente indagava sobre ele, dizia meu pai, então nesta noite, não hesitou em responder minha pergunta. Começou por o lado que eu já conhecia, homem desconfiado, cheio de segredos, não gostava de conversa ou de fazer amizades, isso passou sem novidades. Mas quanto ao seu desaparecimento, foi de fazer medo.

 

O Sr. Elísio, contou que numa noite bem escura, viu uns cachorros latindo para o lado do morro, caçadores sempre apareciam por ali e nunca estranhou latidos, porém naquela noite resolveu colocar o olho pelo buraco da fresta de uma das janelas laterais da casa, dava em direção ao morro, só que bem a frente tinha uma palmeira, a carnaúba, notou que alguma coisa se mexia por detrás da mesma, pensou ser um cachorro, apesar de não existir mais nenhum por perto, mas percebeu que aquela coisa se movia desordenadamente, para um lado, para outro, para cima da carnaubeira, até certo ponto, depois descia, sempre em movimentos rápidos.

 

Naquela hora, dizia ele, sua pele se arrepiava, jamais tinha visto animal parecido, tentava a todo o momento visualizar melhor a criatura, no entanto, seus movimentos ficavam cada vez mais rápidos até que de repente, de um salto, o bicho alcançou o topo da carnaúba, se embrenhando por entre as palhas, foi que deu para ver melhor, ainda que meio embaçado, parecia uma pessoa de estatura baixa com o corpo nu da cintura para cima, passaram-se uns minutos parado, sereno, nenhuma folha se mexia, até que de um salto certeiro, se jogou de uma carnaubeira a outra, parecia que voava, foi de um impulso tão violento que alcançou uns 35 metros, mais ou menos o que dava de uma árvore a outra, desta feita quase sumindo de sua visão.

 

Resolvi abrir a janela e pular fora para ver o que estava acontecendo, mas levei comigo um facão, nunca se sabe nessa hora o que possa acontecer. Corri até onde o bicho tinha se botado, mas foi em vão, nada mais existia por lá que não fosse a árvore, demorei um pouco por ali, mas logo voltei para casa correndo. Confesso que ainda me arrepio quando lembro, ouvi nesta hora um berro tão alto vindo da casa do homem e saindo em disparada, aquela dita figura que tinha visto anteriormente, passou por mim numa velocidade de saltar das vistas, nem deu para distinguir o que seria aquilo, quase de um só salto, cheguei nesta dita casa, entrei e tranquei a janela, peguei meu rosário e rezei.

 

Pouco tempo depois ouvi grunhidos de cachorros, gritos e latidos ao mesmo tempo, até que sumiram. Demorou passar esta noite, pois não consegui pregar o olho. Somente ao amanhecer, resolvi abrir minha porta e sair fora para observar alguma pegada, nenhuma. Passei em frente à casa do homem, a porta batia em movimentos do vento para lá e para cá, olhei para ver se via alguém lá dentro, sempre de fora, não deu para saber, então gritei no pé da porta, tudo em vão, desde este dia aquele homem desapareceu, rumo ninguém sabe, dentro de casa, nada ficou, parecia casa que ninguém tinha morado. Seu pai pode contar a situação que eu me encontrava quando relatei este fato para ele, apesar de não acreditar neste tal sumiço, confesso, eu vi tudo isso.

 

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